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Globo Ciência, 15/09/2012 - Planta Multiuso, 3ª Parte

Resumo

No programa do dia 15/09/2012, Alexandre Henderson do Globo Ciência apresentou o processo de obtenção do Etanol de 2ª Geração, assunto da tese da Doutoranda Vanessa Rocha, orientada pelo Prof. Nei Pereira Jr., e o processo de obtenção da fibra de carbono a partir do bagaço de cana de açúcar, assunto da dissertação do mestrando Felipe Souto da Silva, orientado pela Profª Verônica Calado e pelo Prof. Nei Pereira Jr., todos do TPQB e do NBPD - Núcleo de Biocombustíveis, de Petróleo e seus Derivados da Escola de Química da UFRJ.

Assista o Vídeo do Globo Ciência

Transcrição do Áudio

Alexandre Henderson: Uma tonelada de cana-de-açúcar usada para fazer álcool deixa cerca de 140 quilos de bagaço que é o principal resíduo do agronegócio brasileiro. Parte deste resíduo é queimado nas próprias usinas para gerar energia, mas o que sobra pode se tornar fator de poluição ambiental se armazenado incorretamente. Se transformado em fibra de carbono, um material muito valorizado pela indústria, esse bagaço-de-cana pode se transformar em peças de carro, materiais para indústria de petróleo e até armações de óculos. Eu estou aqui no Núcleo de Biocombustíveis, de Petróleo e de seus Derivados da Universidade Federal do Rio de Janeiro e quem vai nos receber é a pesquisadora Vanessa Rocha.

Alexandre Henderson: Todo mundo sabe que o etanol, esse álcool que a gente vê nos postos de combustíveis é produzido a partir da cana-de-açúcar. Agora, dá para imaginar que o bagaço da cana-de-açúcar também pode produzir álcool ou etanol? Como é que é isto?

Vanessa Rocha: Esse bagaço vem do campo. Nós levamos ele para um tratamento ácido que nós chamamos de pré-tratamento. Durante esse pré-tratamento vai ser retirada a fração hemicelulose do bagaço.

Essa hemicelulose pode, também, ser uma matéria-prima para a produção de etanol.

E, do bagaço, vai ficar restando a celulose e a lignina.

Essa celulose nós podemos usar como matéria-prima para a produção de álcool, no caso, o etanol. Podemos produzir, também, enzimas e ácidos orgânicos.

Alexandre Henderson: Agora a gente vai ver como se produz a fibra de carbono a partir de um dos componentes da cana-de-açúcar que é a lignina. E eu vou conversar com a pesquisadora Verônica Calado, Muito Obrigado!

Alexandre Henderson: Profª Verônica mostra para a gente o Processo!

Profª Verônica Calado: Alexandre, a lignina vai ser tratada com uma ... ácida. Gera este material que a gente coloca nesse recipiente para ser filtrada. Gera uma borra. E essa borra é uma mistura de sólido com líquido.

A gente leva à Estufa, seca, dando origem a este pó. E este pó é a lignina. E essa lignina é a matéria-prima, o insumo para a gente gerar fibra de carbono. Só que antes a gente obtém a fibra verde de lignina que a gente vai ver na próxima sala. Vamos lá?

Alexandre Henderson: Vamos!

Profª Verônica Calado: pois é, Alexandre. Aquele pó que a gente viu foi colocado nesse recipiente, foi aquecido, a uma temperatura alta, ± 280°C. A lignina é fundida, ou seja, ela vai se transformar numa massa fluida tendendo a líquido. Passa por um orifício, como se fosse uma máquina de macarrão, uma extrusão. Sai este filete, e isto aqui é chamado fibra verde de lignina.

Daqui a gente leva para uma estufa para ser aquecida em atmosfera oxidante que é com ar, com oxigênio. Depois, ela vai para um outro processo de aquecimento, numa mufla a ± 1000°C em atmosfera inerte e aí sim a gente obtém a fibra de carbono.

Alexandre Henderson: Esta aqui seria a fibra de carbono, que seriam esses filamentos bem fininhos né?

Profª Verônica Calado: Nesses filamentos o diâmetro é menor do que um fio de cabelo. Na verdade, aqui a gente tem vários filamentos.

Alexandre Henderson: Quais são as características de uma fibra de carbono?

Profª Verônica Calado: A fibra de carbono é leve, muito resistente, condutora eletricamente, condutora termicamente, tem uma infinidade de aplicações.

Alexandre Henderson: É interessante, a maior parte dessa fibra de carbono vem do petróleo. Imagine daqui a alguns anos, fibra de carbono vinda de resíduo de cana-de-açúcar.

Profª Verônica Calado: Resíduo de cana-de-açúcar, de indústria de papel, de coco, de muita coisa.

Fonte: Globo Ciência, 15/09/2012 - Planta Multiuso, 3ª Parte