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Profª Ofélia Araújo

Entrevistas

Projetos de Captação de CO2 para conter o Aquecimento Global

Entrevista, no Programa Show da Notícia da CBN, em 09/01/2010, com a Profª Ofélia Araújo, Coordenadora do Curso de Pós-Graduação em Engenharia de Biocombustíveis e Petroquímica da UFRJ - Universidade Federal do Rio de Janeiro.

Áudio da Entrevista

Áudio

Transcrição do Áudio da Entrevista

Maurício: E já está na ponta da linha para conversar com a gente agora, aqui, no Show da Notícia, a Coordenadora do Curso de Pós-Graduação em Engenharia de Biocombustíveis e Petroquímica da UFRJ, Ofélia Araújo.

Maurício: Ofélia, Boa Noite!

Ofélia: Boa Noite, Maurício!

Maurício: Ofélia, visto como um dos principais meios de contenção do aquecimento global, Projetos de Sequestro de CO2 ganham corpo nos Laboratórios das Universidades Brasileiras. Mas, ainda enfrentam ausência de feedback do Poder Público e de Investimentos Privados. Por que isto acontece?

Profª Ofélia AraújoOfélia: Maurício, há um investimento do Governo através de editais: editais da Capes, do CNPq. Mas, o desenvolvimento de Tecnologia passa desde a escala de Laboratório até uma escala industrial. Essa mudança de escala requer um investimento pesado que não é de competência do Governo e, fatalmente, decorre de uma parceria estreita entre o Setor Privado e os Centros de Pesquisa, seja na Universidade ou em seus próprios Laboratórios. Então, eu acredito que para acelerar o Desenvolvimento Tecnológico há necessidade de uma mudança de mentalidade empresarial no Brasil.

Maurício: Ou seja, esses mecanismos são testados em Laboratórios. Mas, para escalas maiores é necessário verba. É isso?

Profª Ofélia AraújoOfélia: Isso, a viabilidade técnica é comprovada no Laboratório. Agora, a econômica é uma questão de escala, escala de produção. E o desenvolvimento de um protótipo para passar depois para uma escala semi-industrial, uma escala de demonstração para então espalhar o uso, precisa de investimento pesado e uma participação empresarial. Não se trata apenas de um desenvolvimento universitário ou de Governo porque o Governo tem o papel apenas de iniciar essa cadeia. Através de seus editais ele move a Pesquisa Universitária para essas áreas de interesse industrial. Mas, a realização dos empreendimentos fatalmente precisa da participação pesada empresarial.

Maurício: Onde estão e quais seriam os projetos mais promissores nessa área?

Profª Ofélia AraújoOfélia: Várias Universidades estão desenvolvendo Projetos com Biocombustíveis a partir de plantas como, por exemplo, a Soja e existe, nos últimos dois anos, um forte interesse na produção de Biodiesel a partir de Microalgas. As Microalgas teriam a vantagem de uma taxa de crescimento muito acelerada comparada com os outros vegetais e isto significaria menor área de plantio para uma mesma produção de Biodiesel. A Universidade Federal do Rio de Janeiro tem pesquisas nesta área, a Universidade de Santa Catarina, Rio Grande do Sul, o Nordeste, a Federal do Rio Grande do Norte, o Ceará, também, está desenvolvendo e isto num ambiente Brasil. No mundo inteiro, o interesse pelas Microalgas está despontando.

Maurício: A empresa que mais financia este tipo de pesquisa no Brasil seria a Petrobras?

Profª Ofélia AraújoOfélia: A Petrobras é a empresa que mais fortemente investe em pesquisa. Tem uma forte parceria com a Universidade inclusive por conta do Fundo Setorial do Petróleo. Ela precisa aplicar Royalties de Petróleo em Pesquisa. Então não há nenhuma outra empresa que tenha esse nível de investimento como a Petrobras.

Mas, ela ainda é fortemente, uma empresa de Petróleo, fortemente tentando se tornar uma empresa de energia. Mas, ainda tem sua atuação marcadamente em Petróleo então Biocombustíveis é uma área de interesse dela. Está ainda na sua infância. Mas, eu acredito que é uma questão de tempo, de pouco tempo para que comece a surgir mais resultados promissores.

Outras empresas, também, tem interesse e a idéia é associar emissões de CO2. Algumas empresas como siderúrgicas e várias indústrias químicas emitem CO2. E esses gases emitidos tem alto teor o que viabiliza algum processamento industrial de captura desse CO2 e o reúso químico desse CO2 seja para a produção de Biocombustíveis de 3ª Geração ou uma verdadeira refinaria de CO2, a exemplo de refinarias de petróleo.

Existe um caminho muito grande e bastante promissor a ser tratado e a formação de Recursos Humanos desempenha um papel de imenso destaque nesse Cenário.

Maurício: Professora, diante dessa falta de feedback do Poder Público e de investimentos privados como é que pode ser encarada a Legislação Ambiental no Brasil?

Profª Ofélia AraújoOfélia: A Legislação Ambiental precisaria intensificar em termos de exigência em emissões para que haja um incentivo ao investimento porque o Ambiente é protegido pelas multas que são aplicadas numa empresa. Ao contrário de outras áreas da economia onde se investe pelo lucro que se vai ter. Na parte ambiental, é pelo que você deixa de perder pelas multas. Não sei se você tem acompanhado a notícia no momento, o alcool está muito caro. Não é mais econômico colocar o álcool, coloca-se gasolina.

Onde fica a mentalidade de proteção ambiental? É imediatamente esquecida. Então, o que rege a sociedade ainda é o aspecto econômico.

Nisso, eu acredito que as leis ficando mais rigorosas, elas afetam a economia dos processos e viabilizariam o desenvolvimento de tecnologias mais limpas.

Maurício: A Sra. acha que, neste ano, essa vai ser a grande discussão política, até por conta das eleições?

Profª Ofélia AraújoOfélia: Eu acredito que não só no Brasil. No mundo, é a questão de ordem do dia, principalmente, com a aceleração do consumo de energia. E a energia no mundo é uma energia suja, uma energia baseada em combustíveis fósseis e com forte emissão de CO2, forte impacto ambiental.

Então, não há em nenhum cenário que se faça para o futuro a omissão de preocupação com o Ambiente.

Maurício: Professora, a Sra. além de Coordenadora do Curso de Pós-Graduação em Engenharia de Biocombustíveis e Petroquímica da UFRJ é, também, cientista e a Sra. desenvolve mecanismos de captura de CO2 por Microalgas. Eu queria que a Sra. falasse um pouquinho desses projetos.

Profª Ofélia AraújoOfélia: Um projeto de captura de CO2 com Microalgas busca uma sinergia entre um processo que emita CO2 e a Microalga que pela fotossíntese biofixa esse CO2 e é um microorganismo que cresce com uma grande taxa o que permite reduzir o footprint do empreendimento e com isto deslocaria com menor impacto culturas agrícolas.

A Microalga tem alto teor de óleo, acima de 30% (a Soja é inferior a isto). Cresce, como eu disse, duplica a massa em 1 dia. Para se ter uma idéia uma Termoelétrica de 1GW, recentemente eu fiz alguns ensaios, emitiria se queimasse gás natural cerca de 20.000 toneladas de CO2, se você quiser abater 10% disto significaria produzir 1.000 toneladas de biomassa o que daria cerca de 300 toneladas de Biodiesel o que implica em uma ocupação de 1.000 hectares então a relação biomassa/hectare ocupado é um ítem de viabilidade econômica fortíssimo

A viabilidade de crescimento de microalgas tem sido explorada no mundo, principalmente, em fármacos, produtos de alto valor agregado. O desafio dos Biocombustíveis é que ele é um produto de baixo valor agregado então o desenvolvimento tecnológico precisa ir na direção de intensificar o processo, ou seja, maior rendimento por hectare porque do contrário estaríamos entrando numa discutida peleja entre fins-alimento x fins-combustíveis.

Maurício: Professora, só para a gente encerrar: diante desta falta de feedback, dessas discussões cada vez mais complicadas a respeito de legislação ambiental é um grande desafio ser um cientista no Brasil?

Ofélia: É um desafio, com certeza, principalmente, porque a ciência no Brasil é feita basicamente nas Universidades Federais e o Ministério da Educação não tem os recursos necessários para acompanhar a demanda de desenvolvimento tecnológico e científico do País então a parceria com o setor industrial é condição básica para que o Brasil pense em um salto qualitativo do seu padrão tecnológico.

Maurício: Muito bem, conversei aqui no Show de Notícias com a Coordenadora do Curso de Pós-Graduação em Engenharia de Biocombustíveis e Petroquímica da UFRJ, Ofélia Araújo. Professora, Muito Obrigado pela Entrevista! Uma Boa Noite para a Sra.!

Ofélia: Boa Noite, Maurício! Agradeço a oportunidade.

Fonte: CBN - Show da Notícia em 09/01/2010.

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